Três deputados federais do Partido dos Trabalhadores (PT) pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (27), o bloqueio de bens, contas e investimentos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), até o limite de R$ 6 bilhões. Os parlamentares alegam que existe risco de ocultação ou transferência de patrimônio após o senador deixar o Brasil, segundo informações publicadas pelo portal Metrópoles e pelo Times Brasil.

O pedido foi apresentado pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG). Eles também solicitaram que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso em até 24 horas.

Parlamentares apontam risco de transferência de recursos

Na solicitação enviada ao STF, os deputados argumentam que a saída do país e o descumprimento de uma determinação judicial aumentam o risco de que recursos sejam transferidos para terceiros ou enviados ao exterior antes de uma eventual decisão sobre o patrimônio do senador.

O pedido prevê que a medida alcance contas bancárias, imóveis, veículos, investimentos, participações em empresas, criptoativos e outros bens que possam estar vinculados a Flávio Bolsonaro. Os parlamentares também pedem providências para identificar possíveis ativos mantidos fora do Brasil, com cooperação internacional.

A solicitação ainda precisa ser analisada pelo Supremo. Portanto, o bloqueio de até R$ 6 bilhões contra o senador não deve ser tratado como uma medida já autorizada pela Justiça.

Investigação envolve advogado próximo ao senador

O pedido está relacionado a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.

No dia 23 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o bloqueio de bens e valores de Tomaz até o limite de R$ 6 bilhões. A decisão também incluiu medidas relacionadas ao acesso a informações bancárias, fiscais e cambiais, além de restrições às atividades de empresas ligadas ao advogado.

A investigação busca esclarecer possíveis relações financeiras e empresariais entre Tomaz e o senador. Entre os pontos citados está uma conta bancária de uma empresa sediada em Portugal, na qual Flávio teria sido identificado em documentos como “usuário master”, perfil que permitiria acesso ampliado à conta.

Os parlamentares do PT afirmam que, caso seja comprovada a existência de uma sociedade de fato entre os dois, a ausência de restrições sobre o patrimônio do senador poderia comprometer a eficácia das medidas judiciais.

Defesa contesta suspeitas

Willer Tomaz nega manter sociedade com Flávio Bolsonaro e contesta a informação de que o senador teria poderes de gerenciamento sobre a conta bancária mencionada na investigação.

A defesa do advogado também questionou as medidas judiciais adotadas contra ele, classificando-as como desproporcionais. Segundo as informações publicadas, a relação entre Tomaz e Flávio é descrita pelos envolvidos como uma amizade.

As suspeitas investigadas ainda dependem de esclarecimento pelas autoridades e não representam, por si só, comprovação de crime.

Pedido inclui bens no exterior

Além do bloqueio de ativos no Brasil, os deputados solicitaram medidas para localizar eventuais recursos mantidos nos Estados Unidos, em Portugal e em outros países.

Como alternativa, caso o STF entenda que ainda não existem elementos suficientes para determinar o bloqueio no valor solicitado, os parlamentares pedem que sejam atingidos ao menos os bens e recursos declarados pelo senador à Justiça Eleitoral.

Segundo a declaração patrimonial citada pelo Metrópoles, Flávio informou possuir aproximadamente R$ 8,18 milhões em bens. Entre os itens declarados estão um imóvel em Brasília, investimentos, saldos bancários, veículo e participações societárias.

O objetivo alegado pelos autores do pedido é impedir que eventuais recursos sejam transferidos ou ocultados durante o andamento das investigações.

Até a publicação das reportagens consultadas, o pedido de bloqueio do patrimônio de Flávio Bolsonaro aguardava análise judicial.

Fontes: Metrópoles e Times Brasil, reportagens publicadas em 27 de outubro de 2026.